segunda-feira, 6 de abril de 2009

A história de Goiás debaixo da lona do picadeiro

Foto: Layza Vasconcelos

Muitas crianças e adultos esperavam ansiosos pelo espetáculo. Como seria a história de Goiás contada dentro do circo?
E o espetáculo foi como deveria ser: com muita palhaçada, malabarismos, piruetas, música e é claro alegria. Os jovens que fazem parte do Circo Lahetô contaram a história do nosso Estado por meio de números circenses.
Os palhaços Linguiça e Palito são o elo de ligação entre Goiás caipira e Goiás Country. O estado que dança catira, que tem coronéis, roça e moças na janela em contraponto com aquele que tem trânsito congestionado, que dança country e é moderno.
A apresentação começa com tochas de fogo. Bolas de fogo são sopradas na direção da platéia. As crianças gritam muito. E os gritos misturados com a escuridão, que é cortada pelo fogo, deixa a cena emocionante.
Depois entram os índios, nossos primeiros moradores. Pequenas crianças com grandes pernas de pau representam como esses povos viviam até a chegada do homem branco.
O encontro dos portugueses com os nativos é marcado pela violência. Correria no picadeiro. Cambalhotas, piruetas e saltos para escapar do inimigo. Mas ao final, as armas vencem e os índios são mortos.
A parte de mágica fica à cargo do Anhanguera. Esse mesmo, o Diabo Velho, que colocou fogo na cachaça e falou que era água para amedrontar os índios. O Anhanguera é assustador. Alto (também usa perna de pau), magro, com uma roupa cinza e barbudo.
E assim vamos percorrendo os tempos. As fazendas, as plantações, a vida do homem do campo. E de repente, os milhos da roça se tornam objetos para malabares. As árvores são meninas que se equilibram em uma pequena tábua sobre cilindros.
Uma das partes mais bonitas e meigas é a das meninas trapezistas. São três artistas que representam as namoradeiras das janelas dos casarões antigos. Elas bailam no ar enquanto os rapazes as observam e as cortejam no chão.
Goiás dos coronéis (número de palhaços) e dos meninos criados soltos (número de tecido acrobático). E, enfim, Goiás da modernidade. O transito caótico é representado pelos monociclos. Monociclos de todos os tamanhos. E ao final, a catira na perna de pau.
Vinte e dois artistas compõem o espetáculo. Amadores e profissionais unidos para levar ao público um pouco de nossa história no espetáculo que se chama “História de Goiás no Picadeiro”, com direção geral de Maneco Maracá.
Um jeito divertido de conhecer um pouco mais a nossa origem. Se espetáculos pudessem ser colocados em caixinhas e dados de presente, com certeza eu ofertaria “História de Goiás no Picadeiro” pra muita gente por aí.

Obs.: Esse espetáculo será apresentado nas cidades de Anápolis, Pirenópolis, Aparecida de Goiânia, Alto Paraíso, Goiás, Rio Verde, Jataí e Mineiros, entre 17 de abril e 28 de junho.

Quem quiser saber mais sobre o Circo Lahetô e o projeto social que ele realiza é só acessar o site: www.circolaheto.org

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4 comentários:

Julia disse...

Eu queria ter ido! Ia fotografar um monte!

Maianí Tupi disse...

Deu vontade de assistir lendo as suas linhas....

Anônimo disse...

Lindo Mayara...
podemos colocar seu texto no nosso site? O Laheto agradece...
beijos

amei seu texto!!!!

palhaço pequi disse...

...no inicio um relato poetico,voce conseguiu extrair lumes de gestos das palavras criando imagens verdadeiras sobre o espetaculo.vi duas vezez o espetaculo a havia terra e vida saindo das veias daqueles artistas que souberam encnatar a plateia reiventando singnos ludicos dentro de cada cena...parabens pela a mateira