quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Ciclotimia

Ela brincava na gangorra sozinha. Ora ela estava em cima de um lado, ora ela estava em cima do outro lado. Não fazia ideia de como conseguia ir tão rápido de uma ponta a outra do brinquedo.
De um lado a euforia. Era como se fosse explodir de alegria. Nada poderia apagar aquele sorriso. Era a melhor amiga, a melhor amante, a melhor filha, a melhor irmã, a mulher mais engraçada. Com a inspiração a mil, podia criar qualquer coisa e vencer qualquer desafio. O vento soprava-lhe os cabelos e ela sorria.
Do outro lado a depressão. Tudo lhe doia. Viver era difícil e ela não entendia como as coisas podiam ser tão complicadas. Queria abraçar todo mundo, como criança que agarra a mãe em noite de pesadelo. Tinha medo de ficar só. Não conseguia explicar isso e acabava afastando as pessoas. As lágrimas corriam-lhe pela face.
Cansada da gangorra, um dia ela desceu, entrou no consultório médico e pediu: "Me dê alguma coisa que faça o mundo ficar minimamente suportável".

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2 comentários:

Eu, a Vanessa Marques disse...

Nossa, é possível compreender perfeitamente essa menina...

o mundo as vezes parece tão azul...

bju pra vc

http://qrolecionar.blogspot.com

Anônimo disse...

É exatamente assim que eu me sinto...