sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Amar é estar cativo

"_ Que quer dizer cativar?
- É algo quase sempre esquecido, significa criar laços...
- Criar laços?
- É, se tu me cativas teremos necessidade um do outro, serás para mim único no mundo. Se tu me cativas minha vida será como cheia de sol...os teus passos me chamarão para fora da toca, como se fosse música... A gente só conhece bem as coisas que cativou...
- Que é preciso fazer?
- É preciso ser paciente. Cada dia te sentarás um pouco mais perto...E assim, se tu vens às 4 da tarde, desde às 3 começarei a ser feliz, as 4, então, estarei inquieta e agitada, descobrirei o preço da felicidade...Eis o meu segredo, só se vê bem com o coração: o essencial é invisível aos olhos... Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que a fez tão importante...os homens esqueceram essa verdade, mas tu não a deves esquecer, tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas..."

Esse é um diálogo entre a raposa e o Príncipe, na obra “O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exuperry. Fico aqui pensando nesse trecho do livro e também quando Camões diz que amar “É estar-se preso por vontade”.
Talvez seja isso. Amar é como criar um pássaro. Vamos cativando aos poucos, no começo é tudo muito bom, só vemos as qualidades. Depois, descobrimos os defeitos. Alguns param por aí e abrem a gaiola, deixando assim que o animal voe, talvez por ser difícil demais encarar que o outro é tão imperfeito como nós.
Outros prosseguem criando e alimentando o pássaro, isto é, nutrindo a relação de companheirismo e amor. E um dia, espantosamente, quando estamos longe de casa, nos lembramos que saímos e deixamos a gaiola aberta. Com certeza o animal se foi. Alçou outros voos à procura de outros donos e de outros céus. Mas espantosamente, quando chegamos em casa, com o coração apertado, ele está lá à nossa espera cantando na porta da gaiola.
Talvez amar seja só isso, ser um cativo liberto e não se sentir numa gaiola. É esperar o dono cantando.


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4 comentários:

Alberto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Alberto disse...

Adorei os últimos textos. Bjao!!! =)

KK disse...

Quero deixar registrado que amo muito. Sou uma escrava cheia de correntes invisíveis. Acho que é assim mesmo que me sinto: uma cativa! Você tem razão.

Júlia disse...

Simplesmente adoro!!!