terça-feira, 8 de julho de 2008

Pequenos prazeres

Foto: Mayara Vila Boa

A maioria das pessoas quando pensa o que lhes faria feliz, logo imagina tudo aquilo que o dinheiro pode comprar: uma mansão, carros de luxo, fama, viagens caras, ganhar na loteria e não precisar trabalhar o resto da vida e por aí vai ... Daí, fico me perguntando: E se morrermos amanhã? E se chegarmos aos 100 anos sem conseguir juntar tanto dinheiro para comprar isso tudo? Será que estamos fadados à frustração?
Gosto muito de um filme chamado “O Fabuloso Destino de Amelie Poulin”. Amelie, a protagonista, se empenha em satisfazer os pequenos prazeres da vida. Não só os dela, mas de outras pessoas também. Talvez, devíamos tentar viver um pouco como a Amelie.
Pequenos prazeres?! É, são pequenas coisas que nos saciam, que alegram, que tornam um dia de tédio diferente nem que seja por alguns instantes. Coisas simples.
O pequeno prazer da Amelie é ir até o mercado da esquina e colocar a mão dentro do saco de cereais. Cada um tem o seu, mesmo que esteja escondido. É só parar um pouquinho e pensar... Já pensou no seu? Vou contar alguns dos meus para ajudar: imaginar o movimento que meu vestido faz enquanto eu danço ou pisar numa coisa bem barulhenta na rua enquanto caminho. E receber uma coisa inesperada, então?! Não há algo que me faça mais feliz que abrir minha caixa de e-mails e ler uma mensagem de alguém que não esperava, mesmo que seja uma única frase, mas que ela me diga muito; consigo vibrar até mesmo se ganho um único bombom. Tomar banho bem quente em dias frios. Receber elogio naquele dia em que tudo deu errado e estou me sentindo um lixo. Assistir filmes que tocam a minha alma. Ouvir música. Fazer caminhada no bosque.
Ficamos tempo demais nos preocupando com projetos grandiosos e esquecemos de viver o momento. Se conversamos com um amigo, não conseguimos nos concentrar pensando na reunião de amanhã e como vamos fazer para juntar o dinheiro da prestação do carro. Mas, pode não ter amanhã nem para nós ou para nosso amigo e, aí, perdemos a chance de uma boa conversa.
Perdemos os prazeres da vida nos preocupando demais com o futuro, com medo de sofrer, lamentando o que passou. E o tempo que perdemos pensando no que os outros estão pensando de nós? Isso sem falar nas coisas que fazemos só para agradar os outros. Pense em quantas vezes se calou com medo de se expor ou nas coisas malucas que fazemos para parecer bonitos para os outros.
Talvez, devêssemos nos dar ao luxo, de pelo menos de vez em quando, fazermos algo pelo nosso momento, pelo nosso presente, para deixar as coisas mais leves, mais gostosas. Ser Amelie Poulin pelo menos uma vez ao dia faz bem!

4 comentários:

Joãozinho disse...

Em breve seu interfone vai tocar e nós vamos almoçar.

jotape° disse...

Os maiores desejos se realizam nos menores prazeres :)

Mitye disse...

Oi Mayara!
Também adoro a Amélie. É incrível como esse filme toca a gente, né?
Suas palavras vieram em um bom momento, especialmente pra mim.
Taí um "pequeno prazer" que me faz falta: conversar atoa com vc no corredor da Facomb. :)

Bjo

Mayara Vila Boa disse...

Olhem o comentário que a Maria Emília deixou no meu orkut, já que não conseguiu postar aqui:
"Mayara, aqui fala a Mila direto de Uberlândia...
Amei o texto!!!!
Espero então ter lhe causado alguma sensação... rs rs
Amo vc!!!
Saudades eternas!!!"